segunda-feira, 18 de julho de 2016

O que fazer se você não consegue pagar suas contas?

Thinkstock/Jupiterimages
São Paulo - Se você já tinha dificuldades para pagar as contas em dia, a crise econômica pode ter piorado sua situação.

Um levantamento realizado neste mês pela Serasa Experian mostrou que 56,4 milhões de brasileiros estão inadimplentes, ou seja, suas contas estão atrasadas em mais de 90 dias. Ao entrevistar 1.274 consumidores, a Serasa também verificou que 73% deles afirmaram que sua situação financeira piorou em 2015. 

Diante desse cenário, EXAME.com reuniu algumas dicas simples para manter o orçamento no azul e não atrasar o pagamento das contas. Confira a seguir.

1) Identifique o problema

Sem descobrir qual é a causa do descontrole financeiro, as chances de o problema voltar são grandes. Por isso, para colocar as finanças de volta nos trilhos, é fundamental refletir sobre a raiz do seu problema.

De acordo com a pesquisa da Serasa, as principais razões apontadas pelos entrevistados para a decadência das finanças em 2015 são: a inflação, que aumenta o custo de vida (32,18%); a perda de emprego (31,87%); a redução da renda (17,82%); e o descontrole nos gastos (12,56%). 

“O aumento desemprego contribui para que as pessoas não consigam pagar as contas, mas muitos não pagam suas despesas em dia porque estão gastando mais do que ganham. Essas pessoas precisam ir atrás da causa desse descontrole”, diz o consultor financeiro André Massaro.

É importante pensar se você não está exagerando nos gastos para compensar eventuais frustrações. Ao perceber que você gasta mais sempre que tem um dia difícil no trabalho, por exemplo, é possível refletir e concluir que talvez o problema a ser solucionado é o seu trabalho, e fazer algumas comprinhas no shopping não resolverá a questão.


2) Reavalie quanto você ganha e quanto você gasta

Você sabe exatamente qual é a sua receita mensal e suas depesas ou tem apenas uma ideia? Se você se encaixa melhor na segunda opção, pode ter certeza de que essa imprecisão também contribui para que suas contas não sejam pagas em dia.

E você não está sozinho. Uma pesquisa do SPC Brasil, realizada em 2014, revelou que 42% das pessoas não sabem exatamente qual é sua renda. Para controlar melhor as finanças, verifique qual é o seu salário líquido, que é o valor que de fato cai na sua conta depois de descontados o Imposto de Renda, a contribuição ao INSS e eventuais contribuições ao plano de previdência da empresa e plano de saúde.

Em seguida, levante quais são seus gastos fixos e variáveis e suas dívidas, como os financiamentos e as próximas faturas do cartão de crédito. “Algumas pessoas nem sequer olham o extrato mensal da conta para não se aborrecer. É como aquela pessoa que vai na churrascaria, exagera na comida e depois não quer se pesar para não ver o estrago que fez", comenta André Massaro.

Ao colocar na ponta do lápis suas receitas, despesas e dívidas, é possível identificar com mais facilidade o que está desequilibrando seu orçamento. Para facilitar a tarefa, vale usar planilhas em Excel, apps, cadernos, ou a ferramenta que você considerar mais efetiva para não deixar o controle do orçamento de lado (confira 15 opções de planilhas e apps para controlar o orçamento no fim da matéria).

3) Faça cortes inteligentes

Em primeiro lugar, vale prestar atenção aos gastos que você tem realizado e que não fazem sentido, como altas tarifas bancárias, planos de academia que não têm sido 100% usufruídos e serviços de telefonia fixa e assinaturas que podem ser cortados sem grandes problemas (veja 10 coisas pelas quais você pode estar pagando caro demais).

Se ao eliminar esses gastos, seus problemas não forem resolvidos, busque maneiras criativas de acomodar suas despesas, seja pensando em formas de lazer mais baratas ou em maneiras de ampliar sua receita obtendo rendas extras (confira algumas dicas).

Agora, se o buraco for mais fundo e as sugestões acima forem insuficientes, talvez seja o caso de atacar os gastos mais pesados do orçamento, como as suas contas fixas.

Nesse caso, a solução pode exigir medidas mais drásticas, como a mudança para um imóvel menor, para reduzir gastos com o financiamento e condomínio, ou a venda do seu carro, o que pode exigir uma mudança no seu estilo de vida.

Como são mudanças significativas, é importante refletir com calma se para você faz mais sentido manter esse tipo de bem, mesmo que eles exijam grandes sacrifícios financeiros, ou se valeria mais a pena abrir mão desses bens para ter mais liberdade no seu orçamento.

4) Encare o corte de gastos sem medo

Em alguns casos, a dificuldade em cortar gastos não está em encontrar despesas que podem ser reduzidas, mas sim em encarar que é preciso mudar o seu padrão financeiro.

“Por causa da crise, algumas pessoas que tiveram avanços na sua situação financeira e passaram a viajar para fora todo ano, por exemplo, agora precisam dar um passo para trás e é muito duro fazer isso porque muitos interpretam essa mudança como um fracasso pessoal”, comenta André Massaro.

O consultor acrescenta que, ao compreender que a redução de gastos é a atitude certa a ser tomada e que reduzir o padrão de gastos não é um fracasso, mas sim uma forma de ajustar as finanças ao cenário de crise, os cortes podem ser menos dolorosos.

5) Divida as contas por escala de importância

Se você tiver mais contas do que seu bolso pode arcar, o jeito é elencar quais débitos são mais urgentes e quais contas não trarão grandes prejuízos se forem atrasadas.

As contas mais importantes são aquelas que geram cortes de serviços essenciais, como é o caso do plano de saúde e das contas de luz e água. Vale lembrar que, no caso da conta de luz, o corte de energia só pode ser feito em 15 dias após o comunicado de atraso da fatura e o fornecimento de água só pode ser suspenso após 30 dias, contados também a partir do comunicado de atraso pela fornecedora.

Em seguida, as contas mais importantes são aquelas que geram altos prejuízos, como mensalidades escolares, que podem comprometer a educação dos seus filhos, as dívidas com juros altos e empréstimos que podem levar à retomada de bens, como financiamentos de imóveis (veja quando seu imóvel pode ser retomado pelo banco). 

Depois de elencar as dívidas mais urgentes, ordene-as pelo tamanho dos juros. Mesmo se uma dívida for de 1.000 reais e outra de 1.500, se a primeira tiver juros de 15% e a segunda de 5%, apesar de a primeira dívida ser menor, no primeiro caso seriam pagos juros de 150 reais e no segundo de 75 reais, portanto é preferível quitar antes a dívida com maior taxa de juro.


Por fim, as dívidas de menor importância são aquelas referentes a serviços não essenciais, como o plano da academia e a TV por assinatura.

6) Procure opções de crédito mais baratas

Com as recentes elevações da taxa básica de juros da economia, Selic, os juros dos empréstimos também ficaram mais altos. Por isso, é ainda mais importante fugir de linhas de crédito automáticas, como o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito (cujos juros passam a ser cobrados quando o cliente não paga a fatura do cartão), e buscar empréstimos mais baratos, caso sua renda seja insuficiente para pagar todas as contas.

Uma alternativa para fugir da cobrança de juros, segundo Massaro, é buscar a ajuda financeira de pais e familiares. Mas, ele lembra que esse tipo de empréstimo também pode custar caro. “O custo pode não ser financeiro, mas moral. Por isso é importante avaliar se esse empréstimo não trará prejuízos à sua relação", diz o consultor.

Se essa não for uma boa saída para você, a linha mais barata do mercado hoje é ocrédito consignado, empréstimo no qual as parcelas da dívida são descontadas diretamente da folha de pagamento do tomador. Enquanto os juros no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito estão em 246,9% e 395,3% ao ano, respectivamente, os juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado estão em 39,9% ao ano. 

Como o consignado é oferecido apenas a aposentados e pensionistas do INSS e a trabalhadores de empresas que oferecem o crédito consignado como benefício aos seus funcionários, caso você não consiga obter esse tipo de crédito, a segunda linha mais barata do mercado hoje é o crédito pessoal, cujos juros giram em torno de 113,8% ao ano (veja cinco opções de crédito que costumam ter juros baixos).

7) Organize-se

Para manter o orçamento no azul, a palavra de ordem é organização. Mas, se você não leva muito jeito para isso, alguns recursos e ferramentas podem te ajudar.

Uma das principais dicas para não esquecer suas contas é colocá-las no débito automático, serviço oferecido pelos bancos que permite programar o pagamento de contas. Infelizmente, nem todos os prestadores de serviço oferecem essa opção, por isso é preciso consultar a empresa que receberá as prestações para verificar se ela aceita o pagamento por débito automático.

Para que você consiga separar parte do seu orçamento para investimentos com frequência, em vez de fazê-lo apenas quando sobra algum dinheiro no fim do mês, também é possível recorrer à aplicação programada. A funcionalidade pode ser usada para agendar investimentos na poupança, no Tesouro Direito e em fundos de investimento, mas é preciso verificar se o seu banco oferece essa opção.

Alguns bancos também disponibilizam aos clientes o serviço de envio gratuito do saldo atualizado da conta corrente e dos gastos realizados no cartão por SMS.

Aplicativos como o GuiaBolso também podem ajudar na organização: ao inserir dados da sua conta e cartão, o app registra automaticamente todas as suas entradas e saídas (veja no fim da página opções de apps para controlar os gastos). 

Na mesma linha, o cartão de crédito Nubank também permite um controle mais apurado dos gastos. O aplicativo do cartão registra todos os pagamentos feitos com o plástico e permite alterar o nome dos estabelecimentos nos quais foram realizadas as compras. Os gastos são apresentados em um mapa, que facilita a visualização de cada despesa.
Por Priscila Yazbek
Fonte: EXAME.com

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Concessão de crédito a negativados pode agravar endividamento, alerta Idec

Pesquisa mostra que bancos e financeiras exploram ofertas de financiamento a juros que podem chegar a 919% ao ano

RIO - Pesquisa realizada pelo Idec junto a 20 bancos e financeiras mostra que um quarto delas explora ofertas de financiamento para quem está negativado sem avaliar o quanto a renda do consumidor já está comprometida com outros pagamentos. Para o instituto, a prática é irresponsável e pode levar o consumidor a aumentar ainda mais suas dívidas. O estudo, realizado entre os dias 20 de março a 27 de abril, identificou que os bancos BMG e Daycoval e as financeiras Agiplan, Crefisa e Facta prometem que o crédito será dado sem “consulta ao SPC” e sem avaliar a capacidade de pagamento de novas dívidas.

De acordo com a economista do Idec, responsável pelo estudo, Ione Amorim, a prática desestimula o crédito responsável, pois expõe o consumidor ao risco de superendividamento:

— Sem informação e orientação é possível que o dinheiro, em vez de ajudar, piore ainda a mais situação financeira do endividado.

O preço que se paga por essa promessa de salvação, no entanto, é muito alto. Os juros ao ano podem chegar a 919%, quase cinco vezes mais do que a média do mercado. Segundo o Banco Central, a média cobrada por 63 instituições no país é de 8,09% ao mês ou 197,9% ao ano. Durante o levantamento, ficou constatado que a Crefisa aplicava um percentual de 21,35% ao mês, totalizando 919% em doze meses.

O Idec ressalta, ainda, que os bancos escondem as taxas que serão aplicados, só informadas mediante a apresentação de documentos pessoais de quem está interessado no crédito. Uma alternativa é pesquisá-las no site do Banco Central.

Entre os cinco bancos que têm ofertas explícitas de crédito para quem está com o nome sujo, as taxas variam de 9% ao mês ou 181,39% ano ano, como é o caso do BMG. Os juros mais altos são da Crefisa.

Procurados, os cinco bancos e financeiras ou não quiseram comentar ou não retornaram o contato do GLOBO.
Fonte: Idec 

6 dicas para fazer um orçamento financeiro pela primeira vez

Thinkstock/mtreasure
São Paulo – Fazer um orçamento pessoal, que detalhe todas suas receitas e despesas, é o primeiro passo para colocar as finanças nos trilhos.

Como dizia o físico irlandês William Thomson: “Aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar”. Portanto, medir o tamanho dos erros e dos acertos nas suas contas é o ponto de partida para identificar como melhorar sua relação com o dinheiro e concretizar objetivos financeiros.

Veja a seguir seis dicas cruciais para elaborar um orçamento pela primeira vez e evitar o risco de abandoná-lo depois.

1) Levante todos os seus gastos

Observe os gastos que você teve no período dos últimos três meses para checar com precisão quais contas estão sempre ali e ter uma ideia de quanto você costuma gastar com despesas variáveis, como restaurantes, bares, viagens e roupas.

É importante levantar também os pequenos gastos, como o cafezinho pós-almoço, o pão de mel do lanche da tarde e a cervejinha do happy hour. “É comum que as pessoas esqueçam os gastos menores e depois não entendam por que as contas não fecham”, comenta o consultor financeiro André Massaro.

Ele acrescenta que uma boa dica para não deixar passar nenhum gasto pode ser usar apenas o cartão de débito para fazer pagamentos, já que nesse caso todos os gastos podem ser acompanhados pelo extrato bancário.


2) Levante suas receitas

Checar as receitas pode parecer algo simples, afinal, basta anotar qual é o seu salário e observar se você recebe algum outro rendimento, como um aluguel ou pagamentos de trabalhos freelancers.

No entanto, algumas pessoas não sabem dizer exatamente qual é seu salário líquido, isto é, o dinheiro que pinga na conta descontados o Imposto de Renda, INSS, além de eventuais contribuições a fundos de pensão, cooperativas de crédito e mensalidade do plano de saúde. Saber seu salário exato, até os centavos, é essencial para manter as contas sob controle (veja os descontos que incidem sobre seu salário).

Outra dica que pode parecer óbvia, mais ainda é um erro bastante cometido, é considerar o limite do cheque especial e do cartão de crédito como uma extensão da renda. “Para muitas pessoas o cheque especial é como se fosse parte do patrimônio. É preciso ter em mente que ao cair no cheque especial você está usando dinheiro que não é seu e que tem juros altíssimos”, diz Massaro.


3) Escolha uma boa ferramenta para anotar as despesas e as receitas

Se antes os orçamentos eram feitos basicamente em planilhas de Excel ou no papel, hoje é possível usar diferentes ferramentas para controlar os gastos.

Um dos exemplos é o aplicativo GuiaBolso, que permite ao usuário sincronizar os dados das suas contas bancárias e cartões para que os gastos sejam registrados automaticamente. Assim, o app apresenta um balanço do orçamento sem que o usuário precise se preocupar em imputar os dados um por um.

Conforme orienta André Massaro, o importante é que a ferramenta escolhida seja aquela que te dê menos trabalho. “O orçamento precisa ser o mais simples possível para que a pessoa não queira abandoná-lo depois de um mês”, diz.

Veja no final da matéria ou neste link 20 opções de planilhas, apps e sites de controle financeiro.

4) Pense em divisões que simplifiquem seu orçamento

Alguns consultores sugerem dividir as despesas entre dois grupos, um para gastos fixos, como aluguel, contas de luz, telefone, condomínio, e outro para gastos variáveis, como despesas com idas a cinema, teatros, restaurantes e compras esporádicas.

Outros ainda sugerem que as despesas sejam divididas entre fixas, variáveis e que seja criada ainda uma terceira categoria, de despesas semifixas, na qual seriam incluídos os gastos que você não consegue zerar, mas que podem ser reduzidos, como uma conta de luz ou gastos com transporte.

André Massaro afirma que esses tipos de divisões podem ajudar, mas não são essenciais. "As divisões devem ser feitas apenas se simplificarem o planejamento. Se o objetivo for fazer algo mais analítico, é possível separar as despesas em grupos, como transporte, alimentação e vestuário, mas eu não recomendo que sejam criados mais de seis ou sete grupos”, diz.

5) Dê sentido ao seu orçamento

A parte mais difícil de qualquer orçamento é não esquecê-lo depois de algum tempo. Por isso, se você realmente quiser buscar uma relação mais saudável com suas finanças não apenas por um mês, mas de forma definitiva, é importante levar a sério o controle financeiro.

Para isso, consultores financeiros orientam que a elaboração do orçamento seja aliada à definição de metas, como comprar uma casa, sair da casa dos pais, fazer uma viagem ou um curso. Se o orçamento for feito apenas por fazer, sem uma motivação, a tendência é que ele se torne mais uma obrigação sem sentido.

Massaro também sugere que a ideia de iniciar um orçamento para alcançar metas seja compartilhada com uma pessoa próxima, que possa sempre te incentivar ou te cobrar se eventualmente você se sentir tentado a desistir do planejamento.

6) Comece com metas menos ambiciosas

Se você ainda tem dívidas para resolver, economizar 10%, 20% ou 30% do seu orçamento pode parecer algo insano. Por isso, se sua situação financeira não é exemplar, vá com calma e não se cobre tanto.

Em primeiro lugar, seu objetivo deve ser eliminar dívidas, já que os juros que você paga em empréstimos, via de regra, são maiores do que os juros que você pode obter investindo seu dinheiro. Em outras palavras, não adianta manter seu dinheiro investido na poupança obtendo retornos de menos de 1% ao mês, se você tem uma dívida no cheque especial e está pagando juros de 12% ao mês.


Resolvidas as dívidas, se não for possível destinar 10% da sua renda aos investimentos, que é um percentual comumente recomendado por especialistas, comece aos poucos. Comprometa-se a investir inicialmente 1% da sua renda que seja, e depois vá aumentando esse percentual para 2%, 3%, 4% até que o valor investido seja compatível com seus objetivos financeiros (confira 5 investimentos fáceis e seguros que rendem mais que a poupança).
Por Priscila Yazbek
Fonte: Exame.com

Pagou a mais, foi enganado? Saiba se defender de 9 abusos contra clientes

Negar cobertura de plano de saúde, cobrar mais caro de quem paga com cartão em vez de dinheiro, fazer uma oferta sensacional e depois não entregar.

Esses são exemplos das chamadas práticas abusivas proibidas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), mas que ainda são queixas comuns 26 anos após a lei entrar em vigor.

Segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor, Dori Boucalt, as práticas abusivas acontecem quando o fornecedor tem uma vantagem excessiva em relação ao consumidor.

A assessora técnica do Procon-SP Marta Aur diz que as principais reclamações dos consumidores no último levantamento da instituição, em 2015, referem-se, em primeiro lugar, a problemas com cobrança, como erro no cálculo de juros.

Conforme o caso, é preciso acionar o Procon em sua cidade ou a Justiça. Este site reúne contatos de Procons pelo país: http://zip.net/brtkQp (link encurtado e seguro).

Conheça alguns dos principais abusos, segundo Boucalt e Aur:

1) Cobrança a mais: Um exemplo é o cálculo de juros estar errado. A empresa faz a conta e não mostra a planilha das contas.

O que fazer: O Procon atua quando há erro, e o consumidor está sendo cobrado a mais. Mas a discussão se a taxa de juros é abusiva só pode ser feita na Justiça.

2) Cobrança de preços diferentes em cartões de crédito ou cheque: o preço à vista deve ser igual em todos os tipos de pagamento.

O que fazer: Denúncia ao Procon.

3) Envio de produto não solicitado: Não se pode enviar produtos para a casa das pessoas sem pedido.

O que fazer: O cliente pode considerar que é uma amostra grátis e não pagar.

4) Serviço feito sem orçamento prévio: Não é informado o custo final. Por exemplo, é passado o preço do metro linear de um piso, mas não se diz o total da compra, incluindo mão de obra.

O que fazer: O consumidor não é obrigado a aceitar o serviço sem orçamento com todos os dados importantes. Procure o Procon e, se não resolver amigavelmente, terá de ir à Justiça.

5) Descumprimento dos prazos: Combinar entrega de um produto, que atrasa; pagar uma empresa de filmagem para o aniversário e ninguém aparecer.

O que fazer: Vale a regra do artigo 35 do CDC. O consumidor pode exigir o cumprimento forçado do serviço, aceitar outro produto ou serviço equivalente ou rescindir o contrato, com direito à restituição do dinheiro. Para exigir perdas e danos, terá de procurar a Justiça.

6) Descumprimento da oferta: O consumidor compra um produto e, depois, a loja informa que não vai poder entregar porque está em falta.

O que fazer: Vale também a regra do artigo 35 do CDC, conforme o item anterior.

7) Negativa de cobertura de plano de saúde: Cliente precisa de exame ou cirurgia, mas o plano de saúde recusa.

O que fazer: O plano não pode negar cobertura em casos de urgência e emergência. A negativa tem de ser por escrito. O Procon orienta a, em casos de urgência, já procurar um advogado para entrar com um pedido liminar na Justiça e só posteriormente fazer a reclamação também no Procon.

8) Não entrega de cupom fiscal: Sem o documento, não há como provar data e local da compra, o que impede usar a garantia do produto ou reclamar de outros problemas.

O que fazer: Negar a entrega da nota fiscal é crime. Denuncie ao Procon e à Secretaria da Fazenda do Estado, que recolhe o imposto.

9) Venda casada: O consumidor é obrigado a levar um produto na compra de outro. Exemplos: cobrança de consumação mínima, pedir empréstimo num banco e ser obrigado a contratar seguro, entre outros.

O que fazer: Cada caso tem uma solução diferente. Clique aqui para ver as dicas detalhadas.
por Sophia Camargo
Fonte: Uol 

Prazo de 5 anos para manter nome sujo começa a contar após vencimento da dívida

Imagem: internet
O prazo de cinco anos para manter nome de consumidores em cadastro de proteção ao crédito começa a contar partir do dia seguinte da data de vencimento do débito não pago, independentemente da efetivação da inscrição pelo credor. O entendimento, por maioria, é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.

Segundo o ministro Paulo de Tarso Sanseverino, considerar a data do registro como termo inicial significaria manter indefinidamente permanência do devedor, pois bastaria repassar as informações a um novo banco de dados para que a contagem recomeçasse.

“Parece-me que a interpretação que mais se coaduna com o espírito do Código [de Defesa do Consumidor] e, sobretudo, com os fundamentos para a tutela temporal do devedor, aí incluído o direito ao esquecimento, é aquela que considera como termo a quo do quinquênio a data do fato gerador da informação arquivada”, afirmou o ministro.

Vencido no julgamento, o relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, votou para que o termo inicial da contagem do prazo fosse a data do registro. Com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.
REsp 1.316.117
Fonte: Conjur - Consultor Jurídico

Sucesso nas finanças: Dicas para o seu planejamento financeiro

Pare para pensar: como você gerenciaria suas finanças sem contar com o banco?

Rio - Os serviços bancários fazem partem do cotidiano do brasileiro. São 120 bancos em atividade no país, de acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Pare para pensar: como você gerenciaria suas finanças sem contar com o banco? Como receber salário, pagar contas, investir, fazer poupança sem conta corrente? E por que não mencionar a facilidade que temos com o talão de cheque e os cartões de crédito?

Precisamos ter no banco escolhido um parceiro a quem confiar nossas economias. É necessário saber como a instituição pode guardar nosso dinheiro e fazê-lo render. Para isso, existe um personagem muito importante nesta relação: o gerente de conta.
Imagem: internet
PERGUNTA E RESPOSTA

“Quando abri minha conta corrente fui apresentada a um gerente de contas que garantiu que iria me ajudar no que fosse preciso. Pois já se passaram dois anos e nunca recebi uma orientação dele. Gostaria de saber se isso é normal ou se devo reclamar ou mudar de banco. Como posso usar a instituição a meu favor?” Natália, Irajá

Como cliente correntista de um banco, você tem seus direitos de consumidor garantidos e protegidos pela Lei 8.078/1990 do Código de Defesa do Consumidor. Mais precisamente no Artigo 6º, Inciso III, fica evidente que o consumidor tem direito a receber do fornecedor, de forma apropriada e clara, todas as informações sobre os produtos e serviços contratados, com especificações corretas, bem como sobre os riscos que apresentam. Neste caso, o fornecedor é o banco.

Há dois anos você é cliente e nunca recebeu informação. Isto significa que o banco não está prestando os serviços devidos como deveria e cumprindo com o que foi acordado no momento em que você decidiu que ele seria o seu parceiro financeiro para ajudá-lo a gerir suas finanças.

No mínimo, seu banco tem que lhe manter informado sobre quais produtos estão à sua disposição. Em tempos de grande concorrência, sai na frente quem melhor presta atendimento e oferece produtos e serviços adequados ao consumidor. Cada cliente tem que ser único para seu fornecedor e tem que ser bem tratado.
Fonte: O Dia Online

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Procons defendem estratégias emergenciais para enfrentar endividamento

Internet
Ao adiar negociação, consumidores correm risco de serem tragados por dívidas impagáveis. Rolagem de juros do cartão de crédito é um dos maiores perigos para o orçamento

Devedores buscam orientação nos SPCs: dívidas relativas a serviços públicos subiram 16,7%

Com as perdas dos rendimentos do trabalho no Brasil e o aumento do desemprego – reflexos da crise econômica e política –, voltou a subir o número de contas em atraso no país. Pesquisa divulgada na semana passada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) indica 59,2 milhões de brasileiros inadimplentes. 

O contingente, que representa 39,9% da população com idade entre 18 e 95 anos, é preocupante, de acordo com órgãos de defesa do consumidor, que defendem estratégias emergenciais para quem está endividado e para quem corre o risco de cair na malha do crédito negativo (veja o quadro). Uma das armas mais importantes é enfrentar a dívida; agir imediatamente, caso contrário o valor poderá se tornar impagável em pouco tempo.

Os indicadores do SPC Brasil e da CNDL mostraram, no mês passado, ante abril de 2015, que houve aumento de 5,80% no universo de brasileiros inadimplentes. Só na passagem de março para abril, aproximadamente meio milhão de brasileiros deixaram de pagar alguma conta e foram inscritos nos cadastros de restrição ao crédito. O contingente de quase 60 milhões de brasileiros com contas em atraso representa o maior número na história do SPC, que acompanha a inadimplência desde 2012.

Os devedores foram pesquisados nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, segundo o SPC Brasil. Em razão da lei estadual 16.569/2015, conhecida como ‘Lei do AR’, que dificulta a negativação de inadimplentes em São Paulo, o levantamento não tem dados do Sudeste nem, inclusive, de Minas Gerais. Por esse motivo, o SPC Brasil informa que o número real de consumidores inadimplentes em âmbito nacional pode ser ainda maior.

Em Belo Horizonte, por exemplo, o Procon da cidade registra aumento da procura de endividados por ajuda da instituição. “Chegou o momento de os cidadãos estancarem as dívidas. Se eles não tomarem uma atitude rápido, a situação vai ficar insustentável e inegociável”, comenta a coordenadora do Procon-BH, Maria Lúcia Scarpelli. O cenário é tão preocupante que o Procon da capital, pela primeira na sua história, fez mutirão em 15 de março com o objetivo de socorrer quem estava devendo na praça. “Conseguimos que cerca de 800 pessoas pudessem negociar suas dívidas com os credores. Para o mutirão vieram profissionais de bancos e de empresas de telefonia, entre outros”, conta Scarpelli.

A coordenadora do Procon-BH explica que, diante da situação, muitas empresas estão dispostas a negociar. “A primeira coisa que o consumidor endividado deve fazer neste momento é pedir o cancelamento dos cartões de crédito. Ao mesmo tempo, terá de assumir o compromisso de pagamento parcelado do que deve”, aconselha. A taxa média dos juros nos cartões de crédito subiu para 435,6% ano em abril e se manteve no maior patamar desde outubro de 1995. Ao mês, a taxa aumentou de 14,95% para 15,01%, com base em levantamento feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

JUROS EXTORSIVOS “Os cartões de crédito e cheque especial criam falsa impressão de que a pessoa tem o dinheiro e ela se esquece de que se trata de um empréstimo a juros extorsivos”, comenta Scarpelli. O consumidor endividado não tem de conviver com o sentimento da vergonha da situação. “Não adianta fugir da dívida e também não cabe ao consumidor alegar desconhecimento daquilo que deve”, avisa, acrescentando que não adianta recorrer ao Banco Central.

“O cidadão deve, sempre, conferir suas faturas. Hoje, no país, temos fraudes e clonagem, por isso, é sempre bom guardar o cupom de uma compra e esperar a fatura do cartão de crédito chegar para conferir o que vem sendo cobrado”, observa a coordenadora do Procon-BH. Uma dívida de R$ 3 mil tomados em bancos, por exemplo, segundo Scarpelli, dificilmente resultará em ação ajuizada pela instituição contra o devedor. “Porém, é muito desconfortável não ter crédito na praça. Por isso, vale sempre a pena tentar negociar o que deve”.

‘Pendura’ atinge água e energia

Segundo a pesquisa do SPC, além do aumento da quantidade de devedores, também houve elevação do volume de dívidas registradas nos cadastros de inadimplentes. Neste último caso, considerando-se as quatro regiões analisadas pelo estudo, as variações positivas foram de 6,09% na comparação anual – abril último frente o mesmo mês de 2015 – e de 1,12% na comparação com março deste ano, sem ajuste sazonal.

A abertura do indicador de dívidas em atraso por setor da economia, segundo o levantamento, revela que o brasileiro tem enfrentado dificuldades para realizar o pagamento, até mesmo de contas básicas. O maior avanço no número de dívidas se deu no ramo dos serviços prestados pelas empresas de fornecimento de água e luz, com alta de 16,68% na base anual de comparação.

Além das dificuldades para custear despesas básicas, o resultado também reflete a disposição crescente dessas concessionárias de serviços públicos em negativar os consumidores inadimplentes, como forma de acelerar o recebimento dos compromissos em atraso. “Tem se tornado mais comum que essas empresas negativem o CPF do residente antes de realizar o corte no fornecimento”, afirma a economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Em segundo lugar, destaca-se o crescimento de 5,34% das dívidas junto a bancos, que englobam atrasos nos pagamentos dos extratos do cartão de crédito, de empréstimos, financiamentos e seguros, seguido pelo comércio (4,64%) e o setor de comunicação, que consiste nas contas de telefonia, internet e TV por assinatura. Ainda que o crescimento das dívidas junto às empresas prestadoras de serviços de água e luz seja o principal destaque de abril, os débitos com os bancos são os que concentram, proporcionalmente, o maior número de pendências, com participação de 41,59% no total de dívidas em atraso das quatro regiões, seguido do comércio, com 24,20%

SAIA DA CORDA FINANCEIRA 

1 - Assuma o que deve, porque fugir das dívidas só as torna ainda maiores
2 - Procure negociar. Se o credor for um banco, faça um acordo e não assuma parcelas maiores do que possa pagar
3 - Ainda que esteja com dívidas no cartão de crédito, procure a operadora, negocie e cancele o cartão
4 - Confira sempre as suas faturas de cartões, pode ter havido fraude ou clonagem sem que você tenha percebido
5 - Se a situação estiver muito apertada, procure empréstimos consignados (por ter juros menores) para quitar uma dívida maior
6 - Evite fazer qualquer outra dívida, como compras parceladas, até quitar tudo o que deve

EVITE CAIR NO ENDIVIDAMENTO

1 - Ao fazer uma compra tente responder: Eu preciso disso? Preciso disso para agora? Eu posso comprar isso? As perguntas vão ajudar você a se conter diante de um consumo impulsivo
2 - Neste momento da economia, com juros altos, fique atento aos financiamentos e dê preferência às compras à vista
3 - Faça planejamento constante do seu orçamento e corte gastos
4 - Anote tudo o que comprar. Essa medida simples ajuda a controlar os gastos
5 - Pesquise preços. Hoje o comércio está mais preocupado em vender mesmo que a preço um pouco menor do que esperaria o lojista
6 - Se for necessário, cancele viagens ou outros programas, os quais você sabe que vão apertar seu orçamento.
Fonte: Portal do Consumidor - 16/05/16