quarta-feira, 13 de abril de 2016

6 coisas que você deve fazer antes de pegar um empréstimo

Para muita gente, numa crise econômica, a solução é tomar um empréstimo. Mas, antes de correr para o banco ou financiadora mais próxima, veja alguns cuidados que você precisa ter para não entrar numa fria:

1. Analise a atual situação financeira. "Ninguém deve pegar crédito antes de entender como chegou a essa situação de endividamento e de que forma pode resolvê-la", diz o educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos.

Saiba quanto você gasta por mês e para onde vai o seu dinheiro.

2. Reduza os gastos. Reúna a família e analise as despesas para equilibrar entrada e saída de dinheiro.

"Se o indivíduo gasta mais do que ganha, pegar um empréstimo só vai piorar. Ele vai combater o sintoma, e não a causa", afirma o especialista. A faxina financeira inclui o planejamento das contas e a redução de gastos.

3. Defina o objetivo do empréstimo. Para não correr o risco de usar o dinheiro para criar novas dívidas, você vai precisar ter uma finalidade bem clara para o empréstimo e ter certeza de que vai resolver o problema.

Um empréstimo pode ser válido para trocar uma dívida de juros altos por uma com taxas menores (por exemplo, cartão de crédito por crédito consignado).

4. Garanta que as prestações vão caber no orçamento. Tenha certeza de que as prestações cabem no orçamento familiar, deixando ainda uma folga de 5% a 10% da renda bruta. 

"Essa reserva estratégica é importante, para não deixar o consumidor em uma situação de risco, em que qualquer imprevisto resulte no não pagamento das parcelas da dívida", diz Domingos.

5. Encontre as melhores condições. Converse com o gerente do seu banco para saber quais condições ele pode oferecer para você pegar um empréstimo. Compare com outras instituições antes de tomar a decisão. Você vai precisar levar os seguintes itens em conta durante a sua pesquisa:
  • Taxas de administração e de juros
  • Tempo: a prestação e os juros são menores com mais prazo; mas o total pago também é maior
  • Comprometimento: fuja das situações em que você precisa oferecer algum bem como garantia
6. Conheça melhor o seu perfil. Ao conhecer melhor o seu perfil como consumidor, você vai poder ter uma ideia mais clara dos riscos que estará correndo ao contrair um empréstimo. Para facilitar a sua decisão, Domingos definiu alguns perfis, listando suas principais características. Descubra em qual você se encaixa melhor:

Endividado

Sem controle da sua vida financeira, assumirá um risco alto ao pegar um empréstimo e provavelmente não terá o seu problema resolvido. Precisa se tornar um perfil "Equilibrado" antes de dar esse passo.
  • Gasta mais do que ganha
  • Não sabe para onde vai seu dinheiro todo mês
  • Tem várias dívidas
  • Não pretende reduzir seus custos
  • Vai usar o dinheiro de crédito como complementação de renda
Equilibrado

Sem dívidas, mas também sem dinheiro guardado, pode lançar mão de um empréstimo pessoal em caso de algum imprevisto. Mas vai precisar revisar seu orçamento, para caberem as prestações e evitar risco de inadimplência.
  • Gasta exatamente o que ganha
  • Sem dívidas
  • Tem um pequeno controle dos gastos
  • Não tem dinheiro de reserva
Investidor

Com dinheiro guardado e boa saúde financeira, tem no empréstimo uma opção para dar entrada em um bem que deseja comprar, como um carro ou imóvel, sem se descapitalizar. Por ter uma reserva financeira, possui garantia de que vai conseguir pagar as parcelas mesmo em caso de imprevistos.
  • Gasta menos do que ganha
  • Economiza no mínimo 10% dos seus rendimentos brutos
  • Não tem dívidas
  • Possui dinheiro guardado em investimentos
  • Mantém um orçamento mensal atualizado
Fonte: Uol

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Até logotipos de cartões de crédito estimulam gasto maior

Nina Falcone desistiu do dinheiro. Sempre que possível, e onde possível, mesmo em máquinas de venda automática instaladas em seu edifício em Chicago, ela usa seu cartão de crédito do programa de fidelidade da companhia aérea Southwest Airlines para acumular pontos.

Ela segue o conselho dos serviços de assistência ao consumidor e não mantém saldo devedor por mais de um mês, nem paga os juros cobrados pelos cartões.

Mas admite que talvez existam lados negativos nessa facilidade de compra. Uma pilha de revistas "Time" se formou em seu apartamento, juntando poeira, depois que ela adquiriu uma assinatura simplesmente porque esta oferecia pontos adicionais.

"Há anos não pago pelas viagens que faço via Southwest", diz Falcone, o que pode ser tecnicamente verdade, mas muitas pesquisas sugerem que os consumidores tendem a gastar mais pagando com plástico do que fariam se pagassem em dinheiro.

Incentivos como a milhagem em companhias aéreas só servem para fazer aumentar uma tentação com a qual bancos lucram há anos.

"Quando você varia o método de pagamento, as pessoas se dispõem a pagar mais", disse Duncan Simester, professor de marketing no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) que publicou um estudo importante sobre o assunto. "Você não está desembolsando dinheiro de verdade, por isso a sensação de perda é menor".

Usando alunos de um programa de MBA como cobaias, Simester e um colega, Drzen Prelec, realizaram um leilão de ingressos de basquete e beisebol para jogos de duas equipes locais, o Boston Celtics e o Boston Red Sox.

Alguns participantes foram informados de que teriam que usar o cartão de crédito, enquanto outros pagariam em dinheiro.

Quando o cartão estava entre as opções, os alunos se ofereciam para pagar cerca de duas vezes.

Ele acrescentou que embora não fosse incomum ver variações de 5% a 10% entre os padrões de pagamento, "você não vê muitos exemplos de pessoas que se dispõem a oferecer o dobro do que ofereceriam caso estivessem pagando com outro método".

Mas a facilidade de pagar pelas compras com plástico, ou o que os profissionais de marketing definem como "gasto sem fricção", é só metade da história. Cientistas sociais constataram que consumidores estão condicionados até pelo logotipo do cartão.

Richard Feinberg, da Universidade Purdue, convenceu restaurantes próximos do campus, em West Lafayette, Indiana, a permitir que ele estudasse os padrões de gastos de fregueses reais.

Ele colocou logotipos de cartões de crédito em algumas mesas e os excluiu de outras. A visão de imagens associadas ao plástico levava consumidores a gastar mais em suas refeições e a deixar gorjetas maiores.

A chave, diz Greg McBride, analista financeiro chefe do Bankrate.com, site de finanças pessoais, é tentar exercer a mesma disciplina no uso do plástico que você teria se estivesse pagando em dinheiro.

Se você não consegue se conter, ou ocasionalmente precisa rolar o saldo devedor para o próximo mês, evite os cartões de incentivo a todo custo. "Eles só funcionam para os clientes que pagam o saldo integral a cada mês", ele disse, como Falcone faz, escrupulosamente.

Fonte: Folha Online

sábado, 9 de abril de 2016

MEDITAÇÃO PODE AJUDAR NA SUA VIDA FINANCEIRA

Veja dicas para realizar a prática, que também pode trazer outros benefícios para a vida pessoal e corporativa

As pessoas andam cada vez mais stressadas. Também, diante do cenário sócio-político-econômico não só do Brasil, mas de todo o mundo, manter o equilíbrio emocional é um desafio e tanto. Práticas como realização de esportes e meditação prometem ajudar bastante. Esta última, ainda é um mistério para muitas pessoas, que acham que meditar é algo difícil ou simplesmente distante delas. No entanto, essa não é a realidade.

Ricardo Melo, criador do Método IRM de Coaching Financeiro, especializado em Finanças Comportamentais pela University of Toronto, fala, por exemplo, que é possível meditar enquanto come chocolate, mastigando e sentindo o sabor. Também, ao beber água, ao fechar os olhos e imaginar a água caindo. É possível realizar meditação em qualquer lugar, onde a pessoa possa ficar focada e mentalizando. Os efeitos são rápidos e fáceis, diz o coach, que estuda e realiza a meditação.

Finanças

Meditar reduz o estresse e a ansiedade e, ainda, proporciona mais qualidade de vida. Estes são alguns dos vários benefícios comprovados que a meditação traz à saúde. Na busca por tais resultados, não é de se estranhar que até os altos executivos do mercado financeiro usem esta prática até como forma de investimento.

Explica-se. Cuidar de grandes volumes de dinheiro acaba incentivando um hábito de consumo caro ou autodestrutivo, porém, com a meditação, há mais chances de se manter longe destas situações. Além disto, as pessoas ficam mais tranquilas e sentem-se mais capazes. “Estudos indicam que alguns dos maiores nomes do mercado financeiro dos Estados Unidos habilitaram esta prática, pois ela proporciona centralidade e capacidade de olhar para as coisas sem influencia emocional, sem ego, de uma forma mais clara. Algumas pesquisas, ainda, mostram que o praticante da meditação fica menos alerta diante de um estímulo de estresse, mas com maior capacidade de tomar decisões estratégicas”, revela Melo.

Ambiente corporativo

A prática de meditação ajuda na busca por mais foco, melhora a performance, reduz o estresse e ajuda a ter autocontrole para lidar com as adversidades e com as situações de pressão no ambiente corporativo. “Uma vida sem estresse é um dos objetivos da meditação, que também pode passar clareza na tomada de decisões, transparência e transformação nas relações entre funcionários, além de levar os profissionais a agirem de maneira mais responsável, já que eles aprendem a gastar seu tempo de forma mais inteligente e eficaz”, explica o coach Ricardo Melo.

Em resumo, a meditação pode ajudar o ser humano a aumentar ao máximo as suas potencialidades para alcançar o que ele quiser. Confira dicas de exercícios para incluir a meditação no seu dia a dia:

– Ficar em pé e começar a andar, prestando atenção a cada passo dado. Assim, é possível sentir a “consciência presente”, libertando-se da ansiedade

– De olhos abertos, escolher um ponto qualquer e fixar a atenção nele por 30 segundos ou 1 minuto, tentando não pensar em mais nada. Assim, será possível ver que, mesmo a mente sendo agitada, é possível acalmá-la, dando um outro foco de atenção.

– Fechar os olhos e prestar atenção nas batidas do próprio coração, durante 30s ou 1 minuto. Esse exercício mostra como é possível utilizar o próprio corpo como referência para ter uma mente tranquila e mais serena.

Por: Laura Navajas
Fonte: Consumidor Moderno

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Sucesso nas Finanças: Como economizar em tempos de inflação

O aumento de preços no processo inflacionário não se dá no mesmo tempo e proporção em todos os bens e serviços

Rio - A inflação é um aumento contínuo dos preços que representa uma progressiva perda do poder aquisitivo das pessoas, já que a moeda é desvalorizada. Em um cenário econômico com inflação, para adquirir a mesma quantidade de coisas no dia a dia é necessário mais dinheiro. 

O aumento de preços no processo inflacionário não se dá no mesmo tempo e proporção em todos os bens e serviços. Existe uma flutuação de preços no mercado que dificulta a informação para os cálculos dos indicadores econômicos que dão sustentação a tomada de decisão em relação a economia. A inflação, mesmo diante de sua complexidade, interessa a todos, pois impacta nos orçamentos. A inflação na medida que devora o poder aquisitivo das pessoas origina os altos custos sociais, pois desacelera a economia e traz o desemprego.

PERGUNTA E RESPOSTA

“Diante da alta inflação, o custo de vida tem ficado insustentável para quem ganha salário básico, na faixa dos quatro salários mínimos. Ainda assim, passando um aperto, eu gostaria de tentar economizar para fazer uma poupança no banco. Como tentar conciliar? Ainda é válido fazer uma caderneta de poupança?”, Tiago Santos, Curicica

No Brasil, a inflação oficial é medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Ampliado (IPCA), divulgado mensalmente pelo IBGE. É importante que enquanto consumidores e cidadãos que fiquemos atentos a estes indicadores, pois irão impactar em nosso orçamento e planejamento financeiro. 

Uma forma de conseguir economizar é ter o controle de nossa própria inflação, fazendo a comparação da variação dos bens consumidos. Liste o que você gastou com aquisição de bens e serviços de consumo. Assim você pode acompanhar seu planejamento e orçamento financeiro em relação a inflação e fazer as adequações necessárias a sua realidade econômica na busca de obter um recurso para aplicar na poupança. 

A principal característica da poupança é a segurança devido ao baixo risco de crédito dos grandes bancos e a garantia do Fundo Garantidor de Crédito-FGC para as aplicações até R$ 250 mil. Caso você invista na poupança de um determinado banco R$ 50 mil e este banco venha a falência o FGC garante o retorno de seu investimento com os rendimentos até a data da intervenção na instituição financeira.

Fonte: O Dia Online - 30/03/2016

terça-feira, 5 de abril de 2016

Comprou um imóvel na planta e quer desistir?

Com o atual cenário de crise política e econômica, tem-se a informação de que aumentou consideravelmente os pedidos de distrato (cancelamento da compra). Aproximadamente 30% das vendas que são feitas, em menos de 1 ano, acabam por serem objeto de distrato.

Muitos fatores podem influenciar o distrato, dentre eles destaco os seguintes: 
  1. Muitos adquirentes compraram imóveis no período entre 2010 a 2013, período em que os imóveis estavam em alta. Sendo assim, era uma espécie de investimento adquirir imóveis na planta, uma vez que esses empreendimentos sofriam considerável valorização. Contudo, o atual cenários já não é mais favorável assim, pelo contrário, no ano de 2015, observou-se uma queda de aproximadamente 8,5% no valor dos imóveis. 
  2. Em outros casos, tem-se que o aumento da taxa de juros tem dificultado bastante aqueles que tem interesse em financiar imóvel. 
  3. Os bancos estão mais rigorosos com a concessão de crédito, sendo assim, muitos adquirentes conseguem firmar o contrato de promessa de compra e venda com a construtora, contudo, quando ocorre a expedição do Habite-se ou na entrega das chaves – momento em que é preciso fazer um financiamento imobiliário –, o banco tem dificultado a liberação do crédito. E o adquirente acaba tendo que fazer o distrato. 
Para todos esses casos, a solução é distrato. Trata-se de uma manifestação pelo desinteresse na continuidade do negócio, e por conseguinte, com o pedido de devolução das quantias pagas.

O Distrato é um Direito de quem comprou o imóvel na planta e ainda não fez um financiamento com o banco após a entrega das chaves.

Ocorre que, ao quebrar o contrato com a construtora. Em regra, o comprador assumirá o ônus de ter que arcar com multas contratuais e outros encargos. É justamente esse o momento em que vale à pena recorrer ao auxílio de um advogado.

Gosto sempre de explicar meus posts tendo como base um exemplo. Veja a consulta de um cliente, caso que pode ser muito semelhante ao seu:

Comprei um apartamento na planta de uma construtora. Conforme estabelecido no CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA, assumi a obrigação de pagar pelo bem o valor de R$ 320.000,00 (trezentos e vinte mil reais) da seguinte forma: R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) de entrada e R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) a serem pagos no recebimento da chave.

Ocorre que, com a situação econômica atual não consegui fazer o financiamento do valor restante de R$ 200.000,00. E por isso, não poderei cumprir a obrigação que assumi com a construtora. O que faço? Vou perder tudo o que paguei até agora?

Em situações como essa, o comprador pode fazer o distrato, previsto no Código Civil. E por se tratar de uma relação de consumo, há amparo também no Código de Defesa do Consumidor.

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:...V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas...

O distrato, tem o objetivo de extinguir uma obrigação celebrada em um contrato anteriormente.

Deve ser feito da mesma forma que o contrato de promessa de compra e venda, ou seja, é um contrato formal. Não pode ser feito de qualquer jeito, como verbalmente, por exemplo.

Por que é importante consultar um advogado, no momento do distrato?

Pela minha experiência no setor imobiliário, bem como em conversas com amigos de provisão que também atuam na área, temos observado que, em regra, as construtoras têm oferecido "valores irrisórios" pelo que já foi pago, entre 40% e 70%. Geralmente, as construtoras são muito inflexíveis em devolver valores maiores ou oferecer descontos para não abrir precedente para outros casos.

O que mais ouvimos como justificativa para as baixas propostas de Distrato, é que as construtoras alegam que precisam cobrir os custos com corretagem e propaganda durante o lançamento e descontam estes valores dos distratos.

Ocorre que, o fornecedor de Produtos e Serviços, nos termos do CDC, assume todos os riscos da atividade empresarial que exerce. Sendo assim, esses custos e riscos da atividade não podem ser repassados ao consumidor.

Até quando posso desistir da compra do imóvel?

Até o momento do recebimento das chaves.


Mesmo estando inadimplente posso pedir o distrato?

Sim. É preciso saber que estando ou não inadimplente, você pode fazer o distrato.

Distrato feito quando o comprador está inadimplente

Veja bem: se o distrato for feito porque você deu causa (distrato injustificado), você deverá pagar um valor à título de multa.

Essa multa, de acordo com entendimento do judiciário, tem variado entre 15% a 25% sobre o que já pagou, para a construtora. O valor não pode ser excedente a isso.

Retenções de 30% ou 40% do valor do contrato tem sido consideradas abusivas. A Construtora não pode reter o valor total pago pelo comprador (artigo 51, II e artigo 53 do CDC).

O nosso entendimento é o de que uma multa razoável e proporcional se limita a 15% do valor total pago por você. Se a construtora quiser cobrar mais do que isso, sugiro que você não assine o distrato e busque a tutela no judiciário.

Distrato feito por culpa da construtora

Quando a Construtora der causa ao distrato, como por exemplo, porque não cumpriu o prazo para entrega do imóvel, ela terá que devolver ao comprador 100% do valor pago com atualização monetária.

Hipótese em que não aconselho você a assinar o distrato se a Construtora quiser reter qualquer porcentagem sobre o valor já pago.

Se você já fez o distrato e pagou mais do que devia?

O CDC assegura que o consumidor que pagar quantia indevida tem direito a receber o valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais.

Nesse caso, deve-se buscar esse direito por meio de uma Ação no Judiciário.

Se você buscar informação, sempre encontrará uma solução.

Na dúvida, consulte uma pessoa que tenha conhecimento sobre o assunto.

Não fique no prejuízo, procure seus direitos.

Por Myriam Carulina Menezes

Fonte: Jusbrasil

domingo, 3 de abril de 2016

Sucesso nas Finanças: Conta salário não tem tarifa

Não é permitida nenhuma movimentação financeira que não esteja diretamente vinculada a fins trabalhistas



Rio - A abertura da conta-salário é iniciativa do empregador, mediante negociação com a instituição financeira. A empresa fica responsável por identificar os beneficiários da conta, que destina-se única e exclusivamente para o depósito de rendimentos dos funcionários, como os proventos da folha de pagamento mensal, férias, 13º e verbas rescisórias. 

Não é permitida nenhuma movimentação financeira que não esteja diretamente vinculada a fins trabalhistas. O empregado não pode abrir conta-salário por iniciativa própria. Os bancos, desde que devidamente contratados pelo empregador, estão obrigados a abrir a conta. Devem explicar de forma clara as condições e procedimentos inerentes à movimentação da conta, principalmente as que envolvem diretamente o empregado.

PERGUNTA E RESPOSTA

Há alguns anos, abri conta em banco para receber o salário. Quando fui demitida, tive que encerra-la. Na semana passada, recebi carta de cobrança do banco, informando que devo ir imediatamente à agência para pagar tarifas. Isso é possível?”, Marcos Lima, por e-mail

Marco, você não é a único a ter dúvidas em relação às tarifas que são cobradas pelos bancos quando se trata de conta-salário. É preciso compreender o que difere conta corrente de conta salário para não se perder no planejamento das finanças. Se foi você que abriu a conta para receber salário, tenha certeza que não foi conta salário e sim conta corrente e, por isso, passível de cobrança de tarifas. Caso tenha sido a empresa ou empregador que abriu a conta para você para depositar vencimentos, podemos dizer que foi conta salário, que no caso, não deveria ter tarifas.

Existem limites para alguns serviços da conta salário, determinados pelo Banco Central do Brasil: fornecimento de cartão magnético, a não ser nos casos de pedidos de reposição decorrentes de perda, roubo, dano e outros motivos não imputáveis à instituição financeira; liberação de até cinco saques, por evento de crédito; acesso a pelo menos duas consultas mensais ao saldo nos terminais de autoatendimento ou diretamente no guichê de caixa; e fornecimento, por meio dos terminais de autoatendimento ou diretamente no guichê de caixa, de pelo menos dois extratos contendo toda a movimentação da conta nos últimos 30 dias.

Recomendo ao leitor comparecer ao banco para verificar o motivo da cobrança das tarifas e identificar se elas foram geradas de forma adequada. Em alguns casos a conta-salário é transformada em conta corrente, o que resulta em custos para o empregado que, se não estiver atento, acaba acumulando débito. 

A conta-salário só permite depósitos feitos pelo empregador, não tem movimentação de cheques. O patrão pode transferir o saldo para outra conta corrente sem custo, desde que no mesmo dia em que houver o depósito do pagamento. O encerramento deve ser feito pela empresa.

Marta Chaves
Fonte: O Dia Online - 23/03/2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Fazer o devedor passar vergonha é crime

O credor tem todo o direito de protestar o título não pago, cadastrar o nome do devedor em órgãos de restrição ao crédito, como SPC, SERASA, etc, além, é claro, de ajuizar ação judicial para cobrar o valor devido. 

Também é direito do credor de cobrar a dívida através de cartas, telefonemas e até cobradores. 

Todavia, este direito de cobrança do credor vai até o limite do direito do devedor de não se sentir importunado desproporcionalmente ou constrangido. 

Ligações a toda a hora, em qualquer lugar, com ameaças e linguajar deselegante são um abuso ao direito do devedor. 

O credor também não pode ameaçar, coagir ou constranger o consumidor na cobrança de uma dívida, entrando em contato com vizinhos, parentes, amigos ou diretamente com o trabalho do devedor, falando com seus colegas ou chefe. 

Este tipo de atitude é considerado crime pelo Código de Defesa do Consumidor: 


"Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça." 

"Art. 71. Utilizar, na cobrança de dívidas, de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, afirmações falsas incorretas ou enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor, injustificadamente, a ridículo ou interfira com seu trabalho, descanso ou lazer: 

Pena Detenção de três meses a um ano e multa." 


É comum os credores contratarem empresas de cobrança para ficarem “infernizando” a vida do devedor, sem piedade, pois esta “técnica” é muito mais eficaz e barata do que entrar com processo na justiça cobrando a dívida. 

Estas empresas de cobrança fazem ligações telefônicas várias vezes por dia, seja para o telefone residencial, celular, de vizinhos, de amigos, do trabalho. 

Eles não têm o mínimo de respeito. Para eles não interessa a hora ou o dia. As ligações são feitas até na hora do almoço, na parte da noite ou nos fins de semana, perturbando o momento de descanso ou lazer do consumidor. 


O consumidor não deve aceitar este tipo de abuso.


Primeiramente, deve fazer uma ocorrência policial, informando os fatos ocorridos, e os autores dos fatos, no caso a empresa de cobrança e o credor. 

O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade de ambos, do credor e da empresa de cobrança, pelos danos causados ao consumidor. Mesmo assim, é importante fazer a ocorrência em nome das duas empresas. 

Depois, com a ocorrência em mãos, deve procurar uma associação de defesa de consumidores ou um advogado de sua confiança para entrar com uma ação na justiça, na qual deverá ser informados os fatos ocorridos, sendo feito o pedido para que o juiz fixe uma multa diária acaso o credor ou a empresa de cobrança contratada por ele continue efetuando este tipo de cobranças abusivas e causando-lhe constrangimentos , bem como deve fazer o pedido de indenização pelos danos morais e materiais causados, se for o caso. 

Nos casos de ligações para parentes, vizinhos, amigos e trabalho, é importante levar testemunhas que tenham atendido tais ligações para testemunharem sobre os fatos ocorridos e como a cobrança foi feita. 

Nos casos de cobrança através de cobradores contratados que ao efetuarem a cobrança causaram constrangimento ao devedor, fazendo a cobrança através de “recados” deixados para vizinhos, amigos, parentes ou colegas de trabalho, no estilo “Avisa o fulano que estive aqui para cobrar aquele valor que ele deve pro beltrano” ou “Fala para aquele caloteiro do teu vizinho que se ele não pagar a dívida com o fulano...”, ou que fazem a cobrança de forma pública, na frente de outras pessoas, usando de coação, de ameaças, de palavras humilhantes ou de baixo calão, no intuito de fazer o devedor passar vexame, é importante ter testemunhas dos fatos ocorridos, para poder prova-los na frente do juiz. 

Há casos em que o devedor acaba tendo problemas no trabalho e até mesmo perdendo o emprego por causa de cobranças indevidas. Nestes casos, é importante ter provas das ligações (faturas que poderão ser pedidas no processo para a companhia telefônica e testemunhas que atenderam os telefonemas), bem como prova de que os problemas no trabalho e a eventual perda do emprego se deram por causa das cobranças efetuadas. 

No caso de perda de emprego, pode ser pedida indenização por dano material, ou seja, por todos os prejuízos econômicos que o devedor teve, bem como pelo dano moral causado em decorrência desta perda. 

A empresa também não pode enviar ao consumidor nenhuma carta que demonstre, de forma explicita, que o documento se trata de cobrança de dívida. Nem mesmo no envelope pode constar o logotipo da empresa de cobrança. 

As empresas cometem abusos porque os consumidores aceitam calados, não tomam nenhum tipo de atitude. 

O consumidor deve conhecer e exigir seus direitos, assim estará também ajudando a combater os abusos cometidos diariamente por estas empresas. 


Não fique calado, exerça seus direitos!



Fonte: SOS Consumidor