domingo, 13 de março de 2016

Bancos se antecipam e oferecem aos clientes crédito anticalote

O tempo em que os bancos deixavam clientes por meses e meses no rotativo do cartão de crédito ou no cheque especial chegou ao fim. Com a recessão, as principais instituições passaram a turbinar linhas de crédito de prevenção à inadimplência.

Esse tipo de produto financeiro tem juros menores e prazos maiores. Foi criado há cerca de dois anos, quando era fácil conseguir crédito na praça. Naquele momento, os bancos temiam que os tomadores de empréstimos perdessem o controle de seu orçamento. Com a recessão, as chances de inadimplência são ainda maiores. Por isso, os bancos se anteciparam oferecendo o produto.

"Ninguém quer cliente negativado", diz Rodrigo Cury, superintendente executivo do Santander da área de cartões. "O bom cliente é aquele que fica dez anos e não aquele que em alguns meses deixa de pagar e eu o perco."

No Santander, qualquer correntista pode optar por aderir ao Sob Controle, nome do produto "anti-inadimplência" do banco, caso perceba que está perto da inadimplência ou entrando no cheque especial todo mês.



Já o Banco do Brasil monitora a movimentação de seus correntistas e oferece o CDC Renovação para clientes que se enquadram em um perfil previamente definido.

"A oferta vai para um cliente que utiliza mais de 50% do limite do cheque especial por mais de 60 dias, por exemplo", diz Edmar Casalatina, diretor de empréstimos e financiamentos do BB.

O Itaú Unibanco possui o Sob Medida, que unifica contratos de crédito pessoal, cheque especial e cartão de crédito em um único produto.

VALE A PENA?

A opção por uma dessas linhas "anti-inadimplência" pode ser benéfica, mas não em todos os casos. Segundo consultores, é preciso analisar as taxas de juros e o prazo antes de fechar o contrato.

O professor de matemática financeira José Dutra tem uma regra básica: "Se as taxas forem mais baixas do que o cliente já vinha pagando, vale a pena", diz.

Reinaldo Domingos, presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), recomenda esse tipo de linha para quem está refém do cheque especial ou do cartão de crédito. "Você vai dobrar a dívida [do cheque especial ou do cartão] em pouco tempo", diz.

ALTERNATIVAS

Os bancos também contam com outras linhas de crédito para o cliente que pretende reorganizar dívidas. Crédito com bens em garantia ou, em alguns casos, o consignado, podem ser mais adequados.

A Caixa oferece a linha Penhor, com juros de 1,93% ao mês. É possível usar o imóvel como garantia.

"O brasileiro tem medo [desse tipo de produto], mas você deve pensar em todas as formas para quitar o que poderá te matar lá na frente. Se você se planejar, não há perigo em perder o imóvel", diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito.

Os juros nesse tipo de operação variam de 1,54% a 2,20% ao mês. "Quanto mais garantias o banco tiver, mais baixa será a taxa para o cliente", diz Prata.

"Antes, o cliente ficava rodando por linhas com juros altíssimos. Agora, o banco já propõe uma alternativa."

CRÉDITO CONTRA INADIMPLÊNCIA

O QUE É?
Linha oferecida a clientes que mostram chances de se tornarem inadimplentes, quem fica muito tempo no cheque especial, quem cai sempre no rotativo do cartão de crédito, quem tem prestações a vencer em poucos meses. Bancos identificam esses correntistas e oferecem crédito com juros menores.

QUEM PODE USAR?
Aquele cliente que já sabe que não vai conseguir quitar todas as dívidas do mês ou que já está utilizando formas mais caras de crédito. Os bancos oferecem maneiras de renegociar o montante devido, limitando parcelas e renegociando prazos.

TENHA ATENÇÃO
Dinheiro de banco só é bom quando planejado. Por isso, antes de aceitar a oferta, clientes que ′estouram′ o limite todo o mês devem fazer um diagnóstico financeiro para identificar possíveis gastos abusivos.

QUANDO?
Se você tem dívidas no cartão ou no cheque especial e não vai conseguir quitá-las, pode ser a hora de utilizar esse crédito. Pergunte ao banco sobre a linha e a taxa de juros oferecidas.

ONDE CONSIGO?
A maioria das linhas de crédito está disponível em todos os canais –agências, internet, telefone ou caixas eletrônicos. Em uma conversa com seu gerente, é possível descobrir as alternativas.

DICA 1
Negocie. O banco sempre trabalha com uma folga entre as taxas apresentadas na primeira negociação e a que ele efetivamente pode cobrar de você. Lembre-se que quanto menor o risco, menor também é a taxa cobrada.

DICA 2
Os bancos costumam embutir seguros em operações de crédito. O cliente não é obrigado a contratá-lo, mas o juro sobe sem a garantia. Peça ao banco o custo efetivo total do seu novo empréstimo com e sem seguro antes de fechar o contrato.

QUANDO NÃO CONTRATAR?
Quando o crédito oferecido for menor que a dívida total ou quando tiver acesso a linhas mais baratas, como as que têm bens como garantia.

por VINICIUS PEREIRA
Fonte: Folha Online - 07/03/2016

sexta-feira, 11 de março de 2016

Ficou desempregado? Dicas para administrar as finanças!

8 dicas para administrar as finanças durante o desemprego


Infelizmente, a atual crise econômica no Brasil não é um mito. Muitas empresas estão passando por dificuldades financeiras e, por isso, demitem inúmeros funcionários. Lidar com o desemprego não é fácil - atinge, a rotina, o emocional e, principalmente, o bolso.

istockphoto/franny-anne
Corte gastos supérfluos
Evite usar o cartão de crédito
Por isso, o especialista em finanças com MBA no Ibmec, Rafael Seabra, dá dicas de como administrar  gastos durante o período de desemprego. Confira abaixo:
1)Utilize recursos FGTS e da multa da rescisão
Podem ser usados como fundo de emergência para bancar despesas mensais. Saiba mais sobre FGTS e sobre a multa de rescisão.
2) Diminuir gastos
Corte despesas supérfluas como, por exemplo, viajar, ir ao shopping e restaurantes. Também, evite comprar bens que geram gastos.
3) Livre-se  da TV a cabo
Mesmo que seja por tempo determinado, é importante cortar esse serviço para reduzir os gastos.
4) Evite utilizar cartão de crédito
O cartão de crédito dá a ilusão de que você tem mais dinheiro na conta do que realmente tem. Por isso, guarde-o na gaveta até arranjar outro emprego.
5) Não se endivide
Gaste somente o que ganhar - seja pelo seguro-desemprego ou pelo que guardou na sua reserva financeira.
6) Corra atrás de uma renda extra
Use o conhecimento adquirido (técnico ou intelectual) para conseguir dinheiro "rápido" e "fácil". Você pode, por exemplo, vender doces caseiros.
7) Aproveite o tempo livre de maneira produtiva
Ao invés de ficar em casa sem fazer nada, procure fazer algum curso gratuito que melhore a sua capacitação profissional. Aqui você pode encontrar diversas opções diferentes.
8) Caso o desemprego ainda não tenha chegado...
É aconselhável montar um fundo de emergência para se prevenir de imprevistos financeiros. Acumule pelo menos três vezes da despesa mensal - se você gasta R$1 mil por mês, guarde R$3 mil.
Na verdade, essas dicas valem até para quem não perdeu o emprego, pois são importantes para manter uma tranquilidade financeira.
Fonte: Catraca Livre - 06/03/2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

Dívidas X Dormir em paz

DORMIR EM PAZ

As dívidas estão entre as maiores causas da insônia. É difícil mesmo colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz com dívidas em aberto e credores ligando cada vez mais.

Por mais que a crônica instabilidade econômica do Brasil afete empregos e renda – dois maiores fatores da inadimplência – sempre é possível melhorar a situação. 

Inicialmente, negociando melhores condições para pagamento dos débitos já existentes. E projetando um futuro mais tranquilo, livre de dívidas, por meio de orçamento doméstico, controle de despesas e resistência aos impulsos consumistas.

É verdade que, nos últimos anos, a tentação de endividamento tem sido estimulada pelo governo federal, como forma de ativar a economia. Uma política suicida, pois crédito não é renda, e sim compromisso financeiro, que deve ser pago. O resultado: na virada de 2015 para 2016, quase seis em cada 10 brasileiros estavam inadimplentes! 

No país campeão dos juros, tal estímulo é ainda mais irresponsável.

A PROTESTE, que está sempre ao lado do consumidor brasileiro, partilha sua experiência, neste guia, com dicas sobre portabilidade de dívidas, conta-corrente, reserva para emergência, seguro desemprego, cartão de crédito, dentre outras.

Vamos ajudar você a se livrar das dívidas e a viver de acordo com sua renda. Mas esse é um exercício diário, que exige disciplina e bom senso. Por exemplo, é melhor esperar um pouco mais para comprar à vista ou com melhores condições de pagamento.

Não há salário suficiente quando estouramos o orçamento. Isso vale para uma família, empresa ou governo.

Dívida, contudo, não é sinônimo de má-fé. Pode ser uma contingência momentânea, provocada, como já enfatizamos, pelo desemprego, separação, doença ou despesas inesperadas e inadiáveis.

O importante é que, se os dias de hoje estiverem difíceis, mais adiante você possa dormir sossegado, novamente, sem o peso dos débitos.

Maria Inês Dolci

Coordenadora institucional da PROTESTE

Fonte: PROTESTE

sexta-feira, 4 de março de 2016

PERGUNTA E RESPOSTA - Estou com uma dívida de R$ 5.000,00 no cartão de crédito.

Estou com uma dívida de R$ 5 mil no cartão de crédito. Tenho conseguido pagar o valor mínimo da fatura, mas os juros são altos e o meu receio é que se torne um valor impossível daqui a alguns meses. Como posso tentar reverter essa situação? Há opção de dívida ‘melhor’ ?”, Lucas, Penha

Lucas, perder o controle dos gastos no cartão de crédito é arriscado — e em tempos de recessão mais ainda. Devido à facilidade que o meio de pagamento oferece para compras, muitas vezes nos deixamos levar. Vamos comprando uma coisinha e outra e só percebemos o tamanho do estrago quando a fatura chega. Crédito rotativo é quando não pagamos o valor total da fatura e temos que financiar o saldo devedor.

Os juros aplicados pelas administradoras de cartão podem chegar a até 725% ao ano. Ou seja, se você faz uma dívida no cartão no valor de R$ 2 mil e paga apenas metade, os R$ 1 mil restantes se transformarão em R$1.604,41 na próxima fatura. A dívida que era de R$ 2 mil se transformou em uma R$ 2.604,41 — e a tendência é que, se não for quitada, vire uma verdadeira bola de neve, pois serão juros sobre juros.

A instituição financeira tem o “dinheiro” como produto e, como tal, possui um valor pelo qual é negociado em suas operações. É justamente isso que você deve fazer: buscar o “dinheiro” mais barato no mercado, aquele crédito em forma de empréstimo que você poderá pagar com juros bem abaixo dos aplicados pelas administradoras de cartão de crédito.

O cheque especial não é a solução, devido aos altos juros cobrados (em torno de 300% ao ano). O crédito pessoal caminha na mesma trilha, com juros em média de 120% ao ano. Se você tem acesso ao crédito consignado, atualmente essa é a melhor opção, pois os juros estão na casa dos 27% ao ano, variando de banco para banco, devido à garantia do desconto das parcelas ser feito em folha de pagamento.

Você pode também buscar negociar a dívida com a administradora do cartão de crédito ou banco em parcelas fixas que vão se adequar ao seu orçamento.

Fonte: O Dia Online - 02/03/2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

79% dos consumidores não sabem ao certo o que é estar endividado

53% atrasaram ao menos uma conta no último ano. 68% deles já ficaram com o nome sujo.

Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 79% dos brasileiros não sabem ao certo o que é estar endividado e 37,5% dos consumidores se consideram endividados no momento - aumento expressivo em relação ao ano passado (27,8%).

Para quase metade dos entrevistados (46,7%), estar endividado significa ter contas atrasadas, e 3 em cada 10 (30,6%) afirmam que é ter o nome registrado em entidades de proteção ao crédito. Apenas 20,2% dos consumidores compreende o significado real: uma pessoa endividada é aquela que possui parcelas a vencer de compras ou empréstimos.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, as parcelas ainda não vencidas de qualquer aquisição também são dívidas assumidas pelo consumidor. “O risco de desconsiderar as compras parceladas como parte do endividamento é justamente exagerar no consumo de longo prazo, fazendo uma série de dívidas que em pouco tempo podem levar o consumidor ao desastre nas finanças pessoais e à consequente inadimplência”, explica.

Atraso de pelo menos uma conta
Ao longo de 2015, 53,1% dos entrevistados admitem ter atrasado ao menos uma conta - percentual superior aos 41% de 2014. O cartão de crédito foi a dívida mais comprometida (23%), seguido pelas contas de luz (17,9%), de TV por assinatura (12,7%) e celular/ telefone fixo (12,5%).

Considerando apenas esses entrevistados, 68,4% deles tiveram o nome incluído em serviços de proteção ao crédito nos últimos 12 meses. Desses, apenas 32,2% já limparam o nome, enquanto 67,8% permanecem nessa situação. Entre os que ainda estão negativados, 13% escondem de todas as pessoas que estão com o nome sujo. Os colegas de trabalho são as pessoas com quem os entrevistados menos compartilham esta situação (38,7%), e os homens são os que mais escondem das companheiras que estão com o nome sujo (21,5%).

A pesquisa do SPC Brasil mostra que 9 em cada 10 pessoas (93,9%) que passaram por essa situação mudaram ao menos uma atitude relacionada ao uso do dinheiro, sendo que a principal delas é a de começar a controlar todos os gastos (46,8%). Outras atitudes citadas para evitar ficar com o nome sujo novamente são pensar muito antes de comprar (16,8%) e evitar o uso do cartão de crédito (11,2%, aumentando para 15,6% entre as mulheres).

Fonte: G1 - 29/02/2016